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dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

27
Mai17

o caso da escola de Vagos

miss queer

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-05-24-Escola-de-Vagos-castiga-alunos-por-protesto-contra-a-homofobia-e-preconceito

 

não sei se ouviram falar deste caso, mas pergunto-me (e estes jovens também se perguntaram), quantos casais heterossexuais terão sido chamados à direção por se beijarem?

que direção é esta?

de salientar a atitude destes jovens (acho que os meus meninos ainda não têm a mente tão aberta, infelizmente), que defenderam as colegas e bem!

26
Mai17

mau humor

miss queer

não, não estou de mau humor. ando até muito bem-disposta.

comecei a semana com um encontro de amigos e isso recarregou-me as baterias.

quando estou com os meus meninos, esquecendo os problemas que têm, também temos muito espaço para rir. e sim, a principal palhaça sou eu. (pobres crianças, sofrem um bocadinho comigo.) sempre que me dizem que não sabem fazer algo ou que fizeram algo e não está bem, após ler/fazê-los perceber que sabem fazer, segue-se uma imitação altamente dramática do que eles disseram.

mas não, não é disto que vos vou falar hoje.

 

vou falar-vos da senhora das limpezas da faculdade, que andava sempre trombuda.

imaginem que andavam com aquele carro que elas transportam, num elevador indisciplinado (quantas viagens lá fiz, porque as pessoas o chamavam e ele não parava onde eu queria!), em que entram dezenas de alunos que vos ignoram e que vos impedem de sair no vosso andar. imaginem ainda que acabaram de limpar as casas de banho e veem aqueles seres detestáveis a entrar e a sujar o que vocês acabaram de limpar, quando há outra casa de banho no piso inferior e outra casa de banho no piso superior. mais, imaginem que essas criaturas sujam o que vocês limparam e nem um pedido de desculpas vos dirigem!

poderia continuar, mas acho que já perceberam. é normal que a senhora andasse sempre de mau humor, certo?

 

eis que, certo dia, entro no elevador e está lá a senhora das limpezas. ficámos a sós.

com um sorriso e a olhar para a senhora: bom dia!

primeira reação: olhar para todo o elevador a fim de se certificar que estava a falar com ela. quando percebeu que sim, que era com ela...

segunda reação: sorriso rasgado. responde finalmente: bom dia, menina!

e ficámos as duas a sorrir. chegámos ao piso em que a senhora saiu.

MQ: tenha um resto de bom dia e bom trabalho!

senhora (a sorrir): para a menina também, muito obrigada!

e foi assim que passou a ser uma simpatia comigo e que me cumprimentava sempre que me via.

se tratarmos as pessoas com simpatia, receberemos simpatia.

25
Mai17

raspadinha

miss queer

ia eu a passar ao pé do inatel, vejo uma raspadinha.

pensamento imediato «alguém gastou dinheiro e não teve prémio».

dou a explicação ao K.

ao pé do inatel, para uma senhora subitamente. olho para o chão, estava a abrir a raspadinha, com os pés. assim muito devagar, para que ninguém reparasse.

pensamento imediato «que pessoa inocente, acredita mesmo que se tivesse prémio, iria estar aqui no chão?».

24
Mai17

sobre o ser convencido

miss queer

um dia, alguém me disse que não existem pessoas convencidas. na realidade, essas pessoas têm falta de amor próprio e de autoestima, tentando mostrar o contrário, por vezes de forma excessiva.

assim, pensem nas pessoas que consideram «convencidas»... poderá isto aplicar-se a elas?

23
Mai17

K.

miss queer

o K. é um bom menino.

ontem saí de casa dele com o coração apertado. quase com a certeza de que o pai lhe iria bater.

o K. tem hiperatividade. ou será apenas resultado do ambiente em que vive, uma demonstração da revolta que sente?

o K. ontem foi expulso de uma aula por estar a perturbar os colegas.

o pai, mal cheguei lá a casa, dirigiu-se a mim, furioso, a dizer que teria de o castigar, que o K. é imaturo, que não se esforça, que isto e que aquilo.

o K. ouviu a nossa conversa. fez questão de me dizer, mas não precisava, o seu olhar triste dizia tudo. eliminei a distância que existia e abracei-o as 2h que durou a explicação. quando ele acalmou, iniciámos a explicação. nos últimos cinco minutos, voltei ao assunto. expliquei-lhe, calmamente, que tem de perceber que há tempo para brincar e tempo para estudar. e que temos de estar unidos neste esforço para ele passar o ano. disse-lhe que tudo o que disse ao pai, é para bem dele. mas o que o deixou com um sorriso foi mesmo «sabes que gosto muito de ti, não sabes, K.?». e, com aquele olhar atrevido, respondeu-me que não, mas sei que o sabe.

o pai veio despedir-se (acho que só me custa tanto beijar alguém quando vou aos funerais no Alentejo e as velhotas vêm todas distribuir beijos, sem eu saber quem são) e voltou a repetir que iria castigá-lo.

quero que cheguem as 18h15. não por querer que o dia passe depressa. quero ver o K. e saber que está tudo bem, que isto são só medos parvos da minha cabeça.

22
Mai17

100.º post

miss queer

 

lembram-se da música same love? esta menina era a voz feminina.

quando andei a pesquisar mais sobre ela, descobri este vídeo, que é fofinho, fofinho (e a música também é gira).

mas o melhor da Mary é que ela procura, com o seu trabalho, chamar a atenção para alguns problemas das mulheres, como o não gostarem do próprio corpo. vale a pena conhecê-la.

19
Mai17

K.

miss queer

sabem aqueles pais que andam o ano todo sem querer saber dos filhos e, quando chega o último período, se preocupam muitoooo? ah, e que, para eles, são os professores quem deve educar as crianças?

tenho um caso desses, em que os pais esperam de mim um milagre.

enquanto durante o resto do ano o K. teve 4h de explicação por mês, agora terá 6h por semana. e esta semana, como teve testes, somaremos 8h de explicação. juntem a isto aulas e apoios na escola. um abuso, certo? são 12h (das 8h às 20h) sempre a levar com matéria em cima. ninguém aguenta!

o pior é que ninguém na família acredita nele... só sabem criticá-lo, compará-lo à irmã gémea... sendo a autoestima do K. baixa, com tudo isto ainda fica pior. e estamos a falar de um menino de 11 anos.

o meu trabalho com o K. vai muito além de lhe explicar a matéria (ok, não só com ele, faço este trabalho com todos os meus alunos). tenho de fazê-lo acreditar que é capaz, fazê-lo acreditar em si próprio, dar-lhe o amor que não recebe em casa. que não recebe nem em casa da mãe nem em casa do pai.

não acreditam? o K. conta-me, muitas vezes, que esteve a jogar à bola com os amigos. conta-me boas jogadas que fez. uso isso para o motivar. contei isto à mãe. a resposta?

mas ele não é bom a jogar à bola nem tem amigos!

vá à merda! as crianças nestas idades não brincam juntas caso não gostem umas das outras! muito menos jogariam à bola com ele se o K. jogasse mal!

tive de aprender a aceitar que os pais não lutam por ele. e se eles não querem, não posso fazer nada. mas não foi fácil. o início da minha relação com o K. não foi o melhor - resistiu à minha chegada, desafiou-me, tentou que desistisse dele. em vão. -, mas em poucos meses conquistámo-nos. ver a forma como os pais desistiram dele é tão frustrante.

ontem fui ao centro, de propósito, para lhe dar explicação. o tempo a passar e ele sem aparecer. quase 1h depois, aparece com a irmã. a mãe tinha-lhe dito a hora errada. pedi-lhe desculpa, mas tinha de me vir embora. liguei à mãe e, educadamente, expliquei-lhe que não daria a explicação, mas que a mesma teria de ser paga.

ontem descobri ainda que, sempre que falha, leva porrada do pai. não é só ele, também acontece com os irmãos. e não, não falo de uma chapada. e apanham por motivos como: atrasarem-se a sair de casa uns minutos. falamos de um homem com boa apresentação, bem falante, com dinheiro, com estudos. para a semana terei de dar explicações ao K. em casa deste homem. rezem por mim, para que ele tenha viajado! espero que, à semelhança do que aconteceu no resto do ano, não me volte a cruzar com ele. este homem - porque de senhor não tem nada - fez-me perder todo o respeito que lhe tinha.

neste momento, só espero conseguir o milagre que os pais esperam de mim. não por mim, mas pelo K., que merecia uns pais que lutassem por ele e que o pusessem à frente do dinheiro.

com a vossa licença, «pais» não se pode chamar mãe nem pai a estes seres, já que pensam que são os professores que devem educar os vossos filhos, deixem-me trazê-los cá para casa! gosto muito dos três. sim, até dela, apesar desse ar arrogante... depois de vos conhecer, percebo perfeitamente que é só uma defesa.