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dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

29
Jun17

as palmas

miss queer

ainda vou voltar ao assunto do Salvador. sim, ele não escolheu o melhor momento para o fazer. acho que todos concordamos com isso. mas não é disso que vou falar.

há quem tenha atirado pedras porque ele um dia vai sentir falta das palmas. mas as palmas perturbam quem está em cima do palco e podem destruir um espetáculo. e sim, falo por experiência!

corria o ano de 2008, andava eu num colégio, tinha uma banda e participámos num festival com esta música. imaginem: toda musicada por nós, com piano, saxofone, clarinete, bateria, guitarra, baixo... o P. como cantor principal e não me lembro quantos de nós a fazermos um magnífico coro de gospel. no último refrão, todos os instrumentos paravam e o único acompanhamento seriam as nossas palmas, ritmadas ao som da música.

mas, a dada altura, o público começou a bater palmas e nós, inexperientes (e não era a primeira vez que estávamos a atuar!) e com o entusiasmo de vermos que estavam a adorar a nossa atuação, começámos também. ou seja, o que iríamos fazer a seguir, poderia ficar completamente destruído, pois perdia o poder! nem imaginam o que levámos na cabeça depois disto!

felizmente, conseguimos o primeiro lugar mesmo com este erro. mas nestas alturas as palmas não são assim tão boas, distraem-nos.

as palmas são ótimas no final da atuação. não é a cada coisa diferente que se faz.

o «peido» do Salvador teve um mau timing. mas é horrível estar a atuar e a cada minuto estarem com palmas. foi para isso que ele quis alertar.

27
Jun17

obrigada!

miss queer

gratidão. e felicidade. são os dois sentimentos que me dominam desde ontem. e um sorriso parvo. e não, não venham com a história de que há alguém, não tem nada que ver com isso.

mas quando o trabalho é recompensado e o universo se alinha e nos retribui aquilo que temos feito, não podemos deixar de agradecer. os meus incensos fizeram efeito!

 

sim, já sei que não perceberam nada, mas só posso contar daqui a algum tempo.

26
Jun17

velório (parte 2)

miss queer

entre o dia em que soubémos que a B. e o A. tinham morrido no incêndio e o dia do velório, falámos (eu e a minha mãe) várias vezes com cunhados, irmãos e sobrinhos deles.

só no dia do velório é que estive com os filhos. lembram-se do rapaz que me beijou no casamento? os filhos são a namorada e o cunhado dele.

mal cheguei, fui ter com o filho. recebeu-me com um grande sorriso e atirou-se a mim.

quando vi a filha, fui ter com ela. acho que ainda guarda algum rancor pelo que aconteceu no casamento...

mas voltando ao que me chocou, além do D. se ter atirado a mim no velório dos pais.

não foi não haver ninguém vestido de preto. também não foi não haver ninguém a chorar. como a filha disse, eles eram pessoas alegres e não queriam que o fizéssemos... apesar de haver limites.

e eu aceitaria perfeitamente se tivessem querido fazer uma cerimónia para celebrar a vida da B. e do A.! e do bombeiro, que perdeu a vida para os tentar salvar.

o que me chocou foi as pessoas chegarem, darem os sentimentos à família, cumprimentarem os conhecidos e começarem a falar sobre qualquer outra coisa. em voz alta. agora imaginem dezenas de pessoas, todas a fazê-lo em simultâneo, num salão com má acústica. não houve ninguém que dissesse fosse o que fosse para relembrar o motivo de estarmos ali. se queriam falar de carros, férias, dos filhos, podiam ir para o exterior. para a maioria das pessoas, estarem ali ou estarem no arraial ali ao lado, era igual. foi isso que me chocou, não a aparente ausência de tristeza. e os filhos, os irmãos ou os cunhados nada terem feito para controlar isso, ainda me deixou mais chocada.

nos funerais da minha família, quando envolvem a família da minha mãe, há gargalhadas, há conversa. mas também há momentos para celebrar a pessoa que nos deixou. seja com sorrisos ou com lágrimas.

ali não houve nada disso. foram apenas umas dezenas de pessoas que ali foram. e isso não se enquadra em qualquer tipo de despedida que conheça.

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