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dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

19
Mar17

dia do pai

miss queer

aos cinco ou seis anos, a minha mãe foi chamada ao infantário porque, quando nos pediram para escrever um livro para o dia do pai, eu quis escrever que o meu pai era mau e que não gostava dele. e escrevi. esse livro continua guardado em casa dos meus pais.

mais de vinte anos depois, não posso dizer que não gosto dele, mas também não posso dizer que gosto. é-me indiferente. exceto nos dias em que me apetece dizer-lhe tudo o que ando a guardar há muitos anos, mas que me faria perder a única coisa que não quero perder-lhe: o respeito.

ele não é mau... não tem vícios, nunca nos bateu... apenas não tem personalidade. quando precisamos dele, ele não está lá. quando precisamos de uma opinião, ele não a dá. não sabe transmitir amor. nunca soube. nem às filhas, nem à mulher. não sabe agradecer, não sabe pedir desculpa. a única coisa que ele fez foi trabalhar para garantir que havia comida na mesa. (não fosse a minha mãe e só haveria dinheiro mesmo para isso)

mas isso não é nada. isso não é ser pai. faltou-nos tudo o resto. não há conversa entre nós. não há qualquer ligação. ele não me conhece.

mas não te desejo mal...

por isso, feliz dia do pai!

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