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dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

21
Mar17

dia mundial da poesia

miss queer

partilho convosco dois dos meus poemas preferidos. daqueles que me fizeram aprender a gostar de poesia.

 

O Mapa

 

Porque buscamos no quotidiano uma estrada onde se repita o amor e a casa de algum Verão. Porque a memória tem sinais de trânsito e às vezes falamos muito e alto quando está vermelho para recordar, e chamamos os amigos e de repente fica amarelo sem sabermos como, e no fim do dia, quando nos deitamos, cai o verde e tudo avança e as recordações são em vez do sono, são vez da vida, são em vez do verbo. Porque também nós temos montanhas e rios assinalados e também em nós há itinerários principais e secundários e ruas que vão da cabeça aos pés quando a mão desejada nos percorre como carro de brincar. Porque também nós desejamos um novo aeroporto onde pousar a cabeça, ou pelo menos algumas obras no aeroporto onde desajeitadamente procuramos aterrar. Porque mesmo com quatro ou vinte auto-estradas continuamos a ter o caminho para o tanque onde mergulhávamos na infância. Porque andamos todos à procura uns dos outros dentro e fora de quem somos e parece que nos desencontramos, que paramos na estação de serviço errada, a 10 km, sempre a olharmos para o relógio, a 10 km, na direcção uns dos outros, a 10 km mas na estação de serviço errada. Porque o limite do corpo é o desenho do mapa e às vezes apetece rasgar, omitir, estender a fronteira, mas para isso há a guerra, porque imediatamente fora desse limite há outros e outros países invadidos por nós. Porque no fundo desejamos apenas ser conquistados. Porque os países conquistados conseguem mexer no mapa e não ter culpa. Porque os países conquistados se reconstroem depois da guerra e antes do recomeço do amor.

 

Somos um mapa circular, humano e excessivo.

 

Nocturno para Varsóvia

 

Gostava de te convidar para minha casa,

como aos amigos nos velhos tempos.

Abria uma garrafa de vinho e contava-te de quando era pequeno

e tu contavas-me de como te corre o emprego, o amor.

Vemo-nos todos os dias e falamos tão pouco.

Estendo-te a mão e às vezes dás-me uma moeda,

mas falamos tão pouco.

Gostava de te convidar para minha casa

mas não tenho casa, vai ter de ficar para a próxima.

 

Vem à quinta-feira, de Filipa Leal

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