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dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

dez segundos

uma mulher, sempre à procura de se melhorar, com algumas coisas para dar e muito para receber.

13
Abr17

filhos

miss queer

desde pequena sempre quis ter filhos.

sabem quando se imaginam em adultos, a profissão (queria ter inúmeras), casadas (na altura imaginava-me com um homem)... também me imaginava com três filhos. um casal de gémeos e uma menina.

entretanto percebi que não ia casar-me com um homem.

aos 16/17 anos disseram-me que as hipóteses de engravidar eram poucas. ok, não há problema, posso recorrer a inseminação artificial.

aos 17/18 anos disseram-me que não. se tentasse engravidar, teria uma gravidez de alto risco, em que teria de estar de repouso o tempo todo. provavelmente até teria de estar internada. não iria desfrutar da gravidez. e o parto... poria a minha vida em risco, tal como a do bebé. isto se as nossas vidas não estivessem em risco antes.

chorei baba e ranho nessa consulta. saí de lá e comecei a dizer simplesmente que não posso ter filhos.

mas um dos meus sonhos, ainda que tivesse filhos biológicos, seria adotar.

vou adotar. assim que tenha possibilidades disso. ou seja, daqui a dois anos, pois como devem saber, só posso adotar (sendo solteira) quando tiver mais de 30 anos.

um dia, há dois ou três anos, a minha mãe disse a uma prima, enfermeira, que eu queria adotar. sem lhe explicar o resto. a resposta dela foi «ai, não faças isso! sabes lá as doenças que trazem!»... fiquei tão triste, tão revoltada... bem sei que os profissionais de saúde são das maiores bestas insensíveis, porque assim tem de ser, para não se envolverem emocionalmente com os doentes. mas as crianças que estão para adoção precisam de uma família, de amor, de um lar, de alguém que cuide delas. com doenças ou não.

tenho a sorte de uma das minhas P. ser adotada. o irmão dela também é. a relação entre eles e com a mãe, especialmente, é magnifíca. quem não souber que são adotados pensa que são irmãos de sangue e filhos biológicos daquela mulher. porque não há qualquer diferença. têm os mesmos problemas que qualquer outra família. têm o mesmo amor que qualquer outra família. ela é uma das minhas pessoas. um dos meus suportes. uma das pessoas de quem mais me orgulho no mundo. eu mostrei-lhe que as relações entre pessoas do mesmo género são iguais às outras. ela mostrou-me aquilo que eu já sabia: que não há qualquer diferença entre famílias biológias ou famílias com crianças adotadas. mas deu-me ainda mais certezas, mais força.

um dia vou ser mãe. e já faltou mais para isso.

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